sábado, 28 de fevereiro de 2009

Segunda Noite de Carnaval

Reginaldo acordou no meio da tarde, abraçado em uma garrafa de 51 e com uma baita dor de cabeça. O mundo girava enquanto tomava um banho gelado e comia alguma coisa pra enganar o estômago. Se recuperou a tempo de sair para a segunda festa, desta vez vestido de Diabo: chifres, cavanhaque, uma roupa vermelha, rabo e um tridente. Tantas diabinhas soltas por aí, e nada. A noite foi um inferno.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Primeira Noite de Carnaval

Reginaldo tinha se preparado pro Carnaval. Malhou o ano inteiro, pegou um bronzeado bacana durante o verão e tinha um dinheirinho guardado pra se divertir. Fantasia para a primeira festa: Príncipe das Arábias. Correu a noite inteira atrás de uma odalisca, mas não choveu no seu deserto.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Pra baixo

Nessa época ele bebia muito e cantava marchinhas pela rua.
Dava em cima das meninas, usando a embriaguez como desculpa.
Mas na hora H, com a esposa nos braços a música tema era: “a pipa do vovô não sobe mais...”

(por Renata Moreira)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Com jeitinho, dá

Ele queria fazer escondido de todo mundo. Ela achava que não precisava, já que todo mundo fazia mesmo. Esperaram quando os amigos foram no mercado e se trancaram no quarto. Ela, mais experiente, deu todas as dicas e eles começaram. Bem devagarinho, aos poucos, ele foi pegando o jeito. Sentiu a adrenalina percorrendo seu corpo e foi mais rápido. Meio desajeitado, mas o ritmo dos dois foi se ajustando. A empolgação foi tamanha que ele mal se controlava e acelerou mais. E foi, e foi, e não aguentou mais. Não conseguia entender como alguém passava do nível três do créu.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Sentimentos #06

Carnaval é que nem Natal, ninguém entende muito bem o seu significado real. Na verdade o que importa é o feriadão, comer alguma coisa e de se dar bem na folia.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Infância transviada

Na infância era sempre alertada.
- Não seja “maria vai com as outras”.
Certa vez desobedeceu, e nunca mais voltou.

(por Renata Moreira)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Abduzido

João não sabia direito onde estava. Quando conseguiu abrir seus olhos, ainda meio desmaiado, só conseguia enxergar pequenas luzes coloridas vindo em sua direção. Tentava escapar, mas se deu conta que não estava sozinho. Seres estranhos estavam a sua volta, jogando-lhe o que pareciam raios cumpridos e coloridos. Até que apagou completamente. Seus amigos, tão bêbados quanto João, ainda lhe jogavam confetes e serpentinas.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Pelo bem de todos

Rogério adorava a época de Carnaval. Juntava todos os vizinhos do condomínio, escolhia uma praia bacana, corria atrás das melhores pousadas. Procurava as festas para a moçada, os parques para a gurizada e os bons restaurantes para os pais. Rogério sempre conseguia os melhores preços e as melhores atividades, e a semana do Carnaval era só alegria para todos. Inclusive para ele, que aproveitava o silêncio da própria casa durante uma semana inteirinha.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Foi dada a largada

O silêncio, a tranquilidade e a calmaria já invadem as ruas. Os poucos remanecentes já estão fazendo contagem regressiva. É possível vê-los saindo, um por um, de suas casas, malas postas, carros cheios. O rumo? Carnaval 2009.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Forca

Sentia fortes dores no pescoço.
Torcicolo. Talvez dormira de mau jeito.
Nada disso, era a corda no pescoço que o chefe colocava lentamente.

(por Renata Moreira)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Tempo, tempo, tempo

Ela foi embora. Decidiu assim, meio em cima da hora, e foi. Foi morar sozinha em outro lugar, outro país. Viajou, conheceu novas pessoas, se apaixonou, viveu. Mudou completamente sua rotina. Criou novos hábitos. Tinha novas histórias para contar. Ela sempre soube que seria por um tempo. Então, chegou a hora de voltar.

E ela re-encontrou todo mundo. Foi bom. E tudo continuava no mesmo lugar, do mesmo jeito, da mesma forma.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Eficácia

Após denúncia de que alimentos destinados a creches públicas estariam estragando antes de chegar à mesa das crianças, a polícia foi acionada e inquerito instaurado.

Apenas duas semanas de investigações foram necessárias para que os culpados fossem identificados e para que o excelentíssimo Juiz Manuel Joaquim Pereira desse seu veredito:

Sete anos e seis meses de reclusão para todos os micróbios, bactérias e fungos que participaram da barbárie.