quinta-feira, 12 de março de 2009

Pifou

- Acabou a bateria. A porta se fechou. O fusível queimou. Saiu e não voltou. Deu tilti. Offline...
- Tá joãozinho, para! Já entendi. Isso quer dizer que você não fez o dever de casa?
- ñ, sora. O trab ñ era sobre a nova língua port? Então, to te atualizando... é assim que a galera fala...

quarta-feira, 11 de março de 2009

Maiô é motivo de lágrimas.

Sábado ensolarado. Acordamos quase meio dia e decidimos pular café da manhã e almoço para ir à praia aproveitar o calor. Em 50 segundos eu estava pronto para sair. Nesse mesmo tempo, Sydney já tinha experimentado 4 biquinis e se achado gorda em todos. "Coloca um maiô", sugeri para apressá-la. Naquele dia, o único mar que vi foi de lágrimas.

(por Diego Schutt)

terça-feira, 10 de março de 2009

Distância

Fernanda e Felipe sairam de férias e foram para o litoral. Desde que começaram a namorar, há pouco mais de 6 meses, era a primeira vez que passariam tanto tempo juntos, que conviveriam por 15 dias seguidos lado a lado, 24 horas um com outro, com suas manias e desejos.

Ao décimo-sexto dia vocês já imaginam o resultado: Fernanda e Felipe nunca mais se desgrudaram.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Tempos de Crise

Trabalhavam naquela grande empresa internacional. Ela, no jornal. Ele, no setor de informática. Quando a onda de demissões os atingiu, continuaram trabalhando juntos, em um outro local. Apenas diversificaram um pouco a atividade anterior. Durante o dia, ela fica na esquina vendendo jornal. À noite, ele faz programas.

domingo, 8 de março de 2009

Virado pra Lua

Amarildo era um cara de sorte. Ganhou numa rifa de Natal uma viagem com tudo pago para duas pessoas para Florianópolis. Não tinha quem levar até o dia anterior à viagem, quando conheceu uma modelo que estava de mudança para o seu edifício. O tempo estava feio mas foi só pisar na areia que o sol apareceu. Passou os dias bronzeando, mas nada de ficar de vermelho, ao contrário de sua companhia. E no quarto dia ela já começou a descascar. Brincando, Amarildo foi tirando uns pedacinhos da pele que se soltavam. Raspando e, numa raspadinha, ganhou um carro.

sábado, 7 de março de 2009

Movimento

As folhas sobem e descem, levantam e caem. Não muito longe dali, janelas abrem e fecham, criando um barulho incômodo para os que passam. Uma sacola plástica passea por entre as ruas, parecendo encontrar o seu próprio caminho. Cenas do cotidiano. Encontros e desencontros com o vento.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Por um mundo melhor

Ney estudou a vida inteira porque queria melhorar o mundo à sua volta. Deixou de sair com as meninas, de fazer festa com os amigos. Tudo valeu a pena quando completou o seu projeto: uma máquina do tempo. Como teste, resolveu presenciar o momento no qual seus pais se encontraram pela primeira vez. O surgimento de uma pessoa do nada no meio da rua causou um rebuliço, chamando a atenção de muita gente. E seus pais não se viram. E como não se conheceram, Ney simplesmente desapareceu na frente da multidão. No final das contas, o mundo virou um lugar melhor. Sem ele.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Um Menino Maluquinho

Ele tinha o olho maior que a barriga, tinha fogo no rabo, tinha vento nos pés, umas pernas enormes (que davam para abraçar o mundo), e macaquinhos no sótão. E aí, o tempo passou. E, como todo mundo, o menino maluquinho cresceu. Cresceu e entrou pro circo, onde encontrou outras aberrações como ele.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Tensão

Correria. Corre. Corre. Corre. Corre. Correria.
Acaba dia. Inicia outro dia. Acaba mais um. Inicia outro.
Come. Bebe. Fuma. Dorme. Acorda. Come. Bebe. Fuma. Dorme.
O tempo vai passando. Os dias vão passando. A vida vai passando.
Tudo ao mesmo tempo. Nada acontecendo.

terça-feira, 3 de março de 2009

Realidade

Feriado. Festas. Bebedeiras.
Final de Carnaval. Depois de tudo isso, Luis estava conformado com a volta a rotina. Agora eram mais festas e bebedeiras, como o segurança da mais badalada danceteria de Porto Alegre.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Quarta Noite de Carnaval

Era a última chance. Reginaldo cansou das fantasias, ia com uma camiseta, uma bermuda e havaianas. Botou o dinheiro num bolso, a chave de casa no outro. Chegando perto da festa, foi cercado por um grupo de pivetes. Em troca do dinheiro, ganhou um olho roxo, um dente a menos e uma camiseta rasgada. Mancando, foi até a festa pra pedir a ajuda dos amigos. "Precisa de cuidados?", disse uma voz suave ao seu lado. Esqueceu de tudo, acompanhado da sexy enfermeira.

domingo, 1 de março de 2009

Terceira Noite de Carnaval

Reginaldo é um brasileiro: não desiste nunca. Cortou o cabelo bem baixinho, colocou uns dentes falsos e um uniforme da Seleção Brasileira. Com aquela pequena protuberância abdominal, era uma cópia perfeita do antigo camisa 9. E lá no meio da festa encontrou uma Maria Chuteira. Mas foi só ficarem mais íntimos que ele percebeu. Assim como o original.